Doenças sexualmente transmissíveis

 

As doenças de transmissão sexual são doenças de tipo infeccioso ou parasitário nas quais a transmissão sexual tem uma importância ofidemiológica, se bem que nalgumas delas este não seja o mecanismo de transmissão primária ou exclusivo.

O conceito de doenças de transmissão sexual substitui o de «Doenças Venéreas», que se usou até aos finais dos anos setenta, e não se refere unicamente ás clássicas doenças, como a sífilis, a gonorreia, o cancro mole, o granuloma inguinale o linfogranuloma venéreo, mas também inclui outras que costumam classificar-se segundo o agente que as causa: bactérias, vírus, protozoários, fungos ou atropedes. A importância que as instituições de saúde públicas dão actualmente às doenças transmitidas por contacto sexual é o resultado da sua elevada incidência que mesmo com os programas preventivos, estão a aumentar das suas graves consequências económicas, sanitárias e sociais.

 

Sida

Pediculose pubica

Condiloma acomunado

Herper genital

Cancro mole

Gonorreia

Sifilis

Candidiase

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Sida

A SIDA quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. A palavra adquirida indicanos que a Sida é qualquer coisa que adquirimos através de uma outra pessoa. Apesar de uma mulher gávida que contém a Sida poder transmitir ao seu bebé durante a gravidez, a Sida não é algo que herdamos, como a cor do cabelo, dos olhos, etc. Esta também não é uma doença que possa surgir sem qualquer causa externa e visível, como o cancro, etc.

Imunodeficiência quer dizer: Imuno-sistema imunitário do corpo. Os sistema imunitário é aparte do corpo que combate as infecções. A função deste sistema é combater os organismos que invadem o nosso corpo.

Uma deficiência significa que existe uma falha de qualquer coisa ou que ela não é suficiente para funcionar correctamente. Assim, imunoficiência significa que o sistema imunitário duma pessoa não é suficientemente forte para funcionar como deve ser e que lhe falta capacidade para combater.

Se juntarmos estas três palavras temos o significado de SIDA. Uma pessoa com SIDA tem um conjunto de condições ou sintomas (sídroma) que indicam que ela foi infectada por um vírus (adquirido) que lhe enfraquece o sistema imunitário ao ponto de certas substâncias que seriam destruídas em condições normais, conseguirem agora sobreviver e provocar infecções e doenças (imunodeficiência).

 

 

Enquadramento histórico da SIDA

 

em 1981, CDS de Atlanta, que é o organismo que nos Estados Unidos da América faz o controlo e vigilância das doenças, descreve pela primeira vez uma nova síndrome de causa desconhecida em que existia uma falha no sistema imunitário. Em 1982 a OMS (Organização Mundial de Saúde) aceita o termo de Sida para identificar esta nova síndrome. Em 1983, os investigadores Luc Montagnier do instituto Pasteur de Paris e Robbert Gallo Do instituto Nacional do Cancro dos E.U.A. descobrem que a Sida se deve aos efeitos provocados pelo V.I.H. no organismo.

Trata-se de um Vírus de forma redonda, com retrovíros no seu código genético de acção lenta, o que quer dizer que os seus efeitos não se manifestam imediatamente.

A origem do vírus ainda hoje permanece desconhecida. Uma das hipóteses mais prováveis é que um vírus da mesma família do que hoje chamamos VIH que existia nos macacos verdes africanos, possa ter passado destes para o homem, mercê de costumes alimentares utilizando miolos de macaco ou por rituais desertas tribos africanas envolvendo sangue daqueles animais.

Outra hipótese fala de um desequilíbrio ecológico que teria obrigado o vírus para sobreviver, a encontrar um novo hospedeiro, visto certas espécies de macacos se encontrarem em extinção.

Na década de 70 e a ida da África Central, o VIH teria chegado as Caraíbas no organismo de imigrantes infectados.

Nesta altura estava na moda, entre homossexuais norte- americanos, passar férias nas Caraíbas onde mantinham contactos sexuais com os habitantes da ilha. Ao mesmo tempo os naturais desta ilha emigravam para os E.U.A para sobreviverem, vendiam sangue, que em muitos sacos continham o VIH.

Provavelmente foram estas as razões que levaram a que em 1981 os primeiros casos nos E.U.A. fossem descritos em homossexuais e hemofílicos.

Através da comercialização do sangue e/ ou seus derivados em todo o mundo, e também através de pessoas portadoras do vírus que mantinham relações sexuais sem protecção e partilhavam seringas ou objectos que penetravam a pele, foi-se disseminando a infecção pelo rosto do mundo.

Em Portugal, o primeiro caso de Sida foi diagnosticado em 1983.

Em 1985, descobre-se a forma de detectar a presença do vírus através de uma análise ao sangue. A partir desse momento estabelece-se nos países em desenvolvimento em controlo rigoroso de todo o sangue e derivados antes de serem utilizados para qualquer tratamento.

Neste período (1981-1985) descobrem-se e definem-se as formas de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, os mecanismos que conduzem à falência do sistema imunitário e as medidas de prevenção para evitar a transmissão do VIH/SIDA.

Em 1985 a investigadora portuguesa Odette Ferreira, em colaboração com o instituto Pasteur de Paris, isola um outro vírus de estrutura semelhante ao VIH. A partir de então passam a designar-se estes vírus por VIH-1 e VIH-2.

 

 

O que é o VIH?

 

O VIH é um vírus frágil que não sobrevive do organismo, pode aí permanecer «silencioso» ou «escondido» durante meses ou anos e ir estragando o sistema imutitário.

Portanto, muitas vezes, as pessoas que parecem estar em perfeita saúde podem, sem o saber, transmitir o vírus a outras pessoas. Contudo, parece não haver dúvidas de que com o tratamento médico adequado, menos pessoas infectadas viriam a desenvolver a Sida.

Sabe-se actualmente que a doença provocada pelo VIH é uma doença crónica que pode ser controlada, tal como os diabetes ou a hipertenção arterial.

O  VIH transmite-se através dos seguintes líquidos orgânicos: o sangue, o esperma, as secreções vaginais e o leite materno.

Apesar de dizerem que o vírus pode ser transmitido através da saliva, lágrimas ou suor, não há nenhuma prova disso.

O VIH entra no organismo através das membranas mucosas ( as paredes do recto, a paredes da vagina ou interior da boca/garganta) ou por contacto directo com o sangue.

O vírus não atravessa a pele intacta: só se houver uma ferida ou corte que facilite a sua entrada.

O vírus não se transmite pelo ar, através dos suspirros ou da tosse. Por isso não há qualquer perigo no contacto social quotidiano com pessoas infectadas pelo VIH.

 

Como se transmite a sida?

 

O VIH só se transmite quando o vírus entra em contacto directo com o fluxo sanguíneo de outra pessoa. Basicamente, isso pode acontecer de quatro maneiras: através das relações sexuais, utilizando agulhas e seringas infectadaspara injectar drogasou esteróides por via intravenosa, através de uma mãe infectada para o filho em gestão ou recebendo sangue infectado ou produtos à base de sangue infectados. Encontraremos métodos de transmissão noutras partes deste livro.

 

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Pediculose púbica

 

Outra doença contagiosa que se inclui entre doenças transmitidas por contacto sexualé a pediculose púbica, que normalmente recebe o nome de piolhos chatos. O seu agente causador é um insecto parasitário, que se u«instala de preferência no pêlo púbico, mas também pode viver nos êlos abdominais, nas coxas, nas axilas, na nuca e nas pestanas. A infecção costuma produzir-se por contacto directo com a pessoa infectada, mas também se transmite através da roupa, toalhas, etc. Nos bebés estes parasitas instalam-se na spestanas e procedem geralmente do pêlo do peito ou da nuca da mãe. O principal sintoma é um prurido insuportável que obriga a coçar-se, com o que provocam lesões cutâneas. O tratamento consiste basicamente numa higiene correcta e na aplicação de soluções antiparasitárias, além da localização e cuidadosa eliminação dos piolhos e dos seus ovos.

 

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Condiloma acuminado

 

Os condilomas acuminados são causados pelo Papilomavirus humano (PVH), do qual existem diferentes tipos. É uma doença frequente, especialmente entre as pessoas jovens, tanto homens quanto mulheres, e também se observa em recém-nascidos contagiados ao passarem pelo canal vaginal. O contágio é directo, por via sexual, e a incubação oscila entre um e vinte meses. A lesão surge em forma de verrugas, que se desenvolvem sobre zonas húmidas e que podem confluir até formar grandes massas de superfície irregular, que serão as causadoras das principais complicações desta doença: os problemas mecânico-obstrativos (que ocasionam dor, hemorragias e infecções), e os tumores malignos, já que o Papilomavirus tem um considerável potencial oncológico.

Para distinguir estas verrugas das que pode produzir a sífilas, o diagnóstico deve confirmar-se através da biopsia dos tecidos. O tramento para combater o condiloma ou cirurgicamente, as verrugas ou os racimos de verrugas.

 

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Herpes Genital

 

O herpes genital é uma DTS cujas consequências não envolvem a mesma gravidade de outras doenças sexuais. Não obstante, como muitas afecções virulentas, é difícil de curar, já que não responde a nenhum antibiótico. As lesões são uma espécie de bolhas que aparecem no pénis e nos grandes lábios, que se irritam e produzem um intenso prurido. Após alguns dias podem desaparecer, mas não é difícil que voltem a surgir em períodos de tensão ou cansaço. A abstinência sexual e o tratamento do companheiro/a são absolutamente imprescindíveis nestes casos.

 

 

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Cancro Mole

 

o cancro mole afecta mais de vinte por cento de homens que de mulheres, e localiza-se, principalmente, em países africanos e orientais. O seu agente causador é um basilo grão-negativo chamado Haemophylus Ducreyi, em consideração ao microbiólogo Ducrey, que o descubriu em 1889. Esta doença transmite-se exclusivamente por contacto sexual e provoca lesões em forma de úlseras dolorosas entre o terceiro e quinto dia após a infecção.

No homem a úlcera localiza-se no pénis ou no escroto; na mulher, nos grandes lábios ou pequenos lábios ou na zona anal. O cancro mole é doloroso, em contraste com o cancro sifilítico, e sangra com facilidade. Uns dias depois a pessoa infectada sente incómodos ou mesmo dor ao caminhar, já que a inflamação alcançou os gânglios linfáticos regionais. Quando a doença não é tratada, o gânglio linfático, pela sua grande pressão inflamatória, irrompe em direcção à pele e aparece uma pústula purulenta.

 

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Gonorreia

 

A gonorreia, gonococia ou blenorragia, é uma patologia transmitida por contacto sexual muito frequente. No Reino Unido, mais de oitenta por cento das uretrites são de origem gonocócica, e, na década dos oitenta , a nível mundial, observou-se um notável aumento do número de mulheres afectadas, assim como de infecção extragenitais. Na propagação desta doença têm uma mudança na sua textura, que se torna mais pastosa. Pode produzir-se um aumento na frequência da micção. Quinze por cento das mulheres não tratadas adequadamente com penicilina desenvolvem complicações graves, como a penicite aguda, gravidez ectópica, etc. Quando se produz uma disseminação da bactéria por todo o organismo, a sintomatologia inclui inflamação dos tendões e dores articulares, além duma erupção de manchas encarnadas por todo o corpo e, principalmente, nas pernas.

Actualmente observam-se mais frequentemente as infecções extra-genitais (especialmente o aparecimento de secreções de cor amarela esverdeada no recto ou na faringe), principalmente em casais hom ou heterossexuais que praticam de modo habitual o sexo oral ou anal.

Antigamente era muito temida a gonorreia oftálmica, já que podia ocasionar cegueira; afectava, principalmente, os recém-nascidos que se contagiavam pelo contacto com secreções gonocócicas ao passar pelo canal vaginal.

Hoje em dia, o tratamento com diferentes antibióticos, e, especialmente, com penicilina, oferece excelentes resultados. Não obstante, os gonococos mostraram-se, nestes últimos anos menos sensíveis a este medicamento, de modo que foram desenvolvidos outros prudutos para combatê-los. Esta doença pode provocar esterilidade caso não seja tratada deste o princípio. Isto devido a que o gonococo pode produzir cicatrizes nas  trompas de Falópio, impedindo o encontro do óvulo com o espermatozóide.

 

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Sífilis

 

A infecção produz-se em mais de noventa por cento dos casso através de relações sexuais íntimas com pessoas infectadas. No homem a lesão primária é facilmente observável: aparece uma úlcera, chamada cancro, situada no ponto de inoculação, que costuma ser a glande do pénis. Na mulher esta úlcera é mais difícilde ver, já que se localiza normalmente nos grandes e pequenos lábios, que estão protegidos pelo pêlo púbico. O cancro não aparece imediatamente após o contágio, mas depois de um período de incubação de duas a seis semanas, e não produz dor nem prurido. Esta úlcera cura-se espontaneamente entre dez e quarenta dias, sem deixar cicatrizes. Por este motivo, e também porque o cancro pode aparecer em qualquer outra parte do corpo que esteve em contacto com o foco causador da pessoa infectaa, é muito fácil que a lesão passe desapercebida. Se neste período de tempo, que recebe o nome de «estágio primário», não se realiza um tratamento, o germe da sífilis fica em estado de latência.

Uns dois meses depois, quando as espiroquetas se disseminaram por todo o corpo, sendo mais característica nas plantas dos pés e nas palmas das mãos. Esta erupção está formada por manchas: manchas encarnadas que se descamam nas bordas; não são dolorosas mas muito contagiosas, já que cont~em quantidades importantes de espiroquetas. Durante esta fase, denominada «estágio secundário», podem aparecer outros sintomas, como dor de cabeça e dos ossos, febre e alopecia (queda do cabelo). Esta queda denomina-se «roedura», já que o cabelo cai em mechas isoladas. A doença continua a ser muito contagiosa e, ainda que os sintomas possam desaparecer, a infecção pode ressurgir.

Quando não se realiza nenhum tratamento a sífilis permanece em estado latente. Com o passar dos anos- cinco ou seis, em média, ou mesmo quinze ou mais- a infecção volta a manifestar-se com sintomas cada vez mais graves, que incluem problemas neurológico e cardíacos, chegando, em alguns casos, a produzir-se perfurações ósseas. Estas lesões podem causar incapacidades físicas ou mentais e inclusive a morte. Felizmente, cada dia observam-se menos pacientes com sífilisem «estágio terceário», já que a doença foi diagnosticada e tratada comantecedência no estádio primário ou secundário.

Frete à suspeita da existência da sífilis realizam-se diferentes exames serológicos. O tratamento durante os três estádios baseia-se na ingestão de doses consideráveis de penicilina, assim como no tratamento sintmático.

Um dos perigos da sífilis é que se pode transmitir da mãe para o feto, já que as espiroquetas são capazes de atravessar a barreira placentária. É o que se denomina sífilis congénita, que pode provocar a morte fetalou, no recém-nascido, inumeráveis afecções, como a cegueira, alterações neurológicas, alterações ósseas, anemia, etc. 

 

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Candidíase

 

A candidíase é uma infecção causada por um fungo chamado Candida albicans, que é um residente comum da pele e mucosas humanas. Um desequilíbrio na composição da flora vaginal ou uma infecção por um companheiro sexual são as causas mais frequentes de proliferação deste fungo. Como factores que contribuem com a rápida multiplicação deste organismo deve citar-se o uso de calças muito justas ou de roupa íntima confeccionada com fibras sintéticas, que ajudam a criar o ambiente cálido e húmido que se necessita. Existem mulheres com uma maior tendência a sofrer reinfecções, portanto, o cuidado com a higiene pessoal é especialmente importante. A infecção manifesta-se por um prurido intenso na zona vulvo-vaginal, às vezes acompanhado de um aumento do fluxo vaginal. No homem é frequente uma sensação de queimação ao urinar. O tratamento consiste na aplicação de cremes ou produtos fungicidas específicos, às vezes acompanhados de outros medicamentos de ingestão oral

 

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